Azulejos do Caminho: os mais belos marcos de cerâmica do mundo
Da Bretanha, passando pela Suíça, até Santiago: uma viagem fotográfica pelo mundo ao longo dos azulejos que marcam o Caminho de Santiago – e como os interpretar.
1 de julho de 20266 min de leitura
A concha debaixo dos teus pés
A certa altura, no Caminho de Santiago, olhas para baixo entre dois passos – e lá está ela: uma laje com a concha de Santiago. Por vezes embutida no pavimento, outras vezes colocada na parede de uma casa, outras ainda como um azulejo vidrado numa capela. Em nenhum outro percurso de longa distância do mundo te deparas com este símbolo do caminho com tanta frequência na sua forma cozida e esmaltada.
Esta coleção é um trabalho conjunto dos amigos da aplicação Camino-Ninja: peregrinos e peregrinas de vários países fotografaram as suas descobertas mais bonitas e enviaram-nos as fotos – dezenas de imagens, muitas vezes no espaço de poucas horas. Daí surgiu esta pequena viagem pelo mundo, desde a Bretanha, passando pela Suíça, até às portas do Gabinete de Peregrinação em Santiago.
Participa – envia-nos o teu azulejo
Esta página cresce com a comunidade. Todas as fotos aqui apresentadas são de amigos e amigas da aplicação Camino-Ninja, que partilharam as suas descobertas connosco. Também descobriste e fotografaste um azulejo bonito durante a tua viagem? Então envia-nos a foto – por e-mail para info@caminoninja.com – e teremos todo o prazer em incluí-la nesta coleção. Assim, a partir de muitas pequenas descobertas, iremos, pouco a pouco, criar a mais bela coleção de azulejos do Caminho.
Ladrilho, azulejo, concha de bronze – o que é o quê?
Nem todos os marcadores de caminho em cerâmica são iguais. Em termos gerais, existem três tipos:
Azulejos– a cerâmica esmaltada azul e branca (ou colorida), sobretudo em Portugal e em Espanha. Frequentemente presente em igrejas, fontes e paredes de casas, por vezes fabricada especificamente para o caminho.
Pavimentos e ladrilhos– Lajes com um símbolo em forma de concha ou de seta, embutidas diretamente nos passeios e nas praças; típicas em cidades onde os sinais de trânsito seriam um incómodo.
Conchas de bronze e latão– colocados no calçamento de pedras das cidades antigas, discretos e duradouros; sem som, mas com a mesma ideia.
Como interpretar um azulejo do Caminho
A concha é mais do que uma decoração – é um indicador de caminho. As ranhuras convergem em forma de raios e, tradicionalmente, interpreta-se essa convergência como uma indicação da direção para Santiago. Só que isso não é uniforme. Por vezes, a concha aponta com o lado mais estreito na direção da marcha; outras vezes, exatamente ao contrário, dependendo da região e do artesão. Entre os peregrinos, esta é uma discussão recorrente e carinhosamente cultivada – em caso de dúvida, confia na seta amarela, que acompanha a concha em quase todo o lado.
Há, portanto, duas coisas que valem sempre a pena observar quando olhamos para baixo: a orientação – e as próprias pequenas obras de arte. Começa a viagem.
França e Países Baixos
EMorlaixNa Bretanha, dois caminhos que vêm da costa (de Moguériec e de Locquirec) cruzam-se e formam a Voie de Moguériec.Foto: Emma Delvaux de Fenffe.
EVézelay, no início da Via Lemovicensis, uma das quatro principais vias históricas francesas.Foto: Son Ja.
EChartres, a caminho da famosa catedral.Foto: Norma Inderst.
EBourges, também na Via Lemovicensis.Foto: Roswitha Kliment.
Pouco antes deThiviers, mais a sul, na Via Lemovicensis.Foto: Son Ja.
EmPérigueux, o mesmo percurso, no coração do Périgord.Foto: Son Ja.
ESt-Jean-St-Mauriceno Loire, no antigo caminho de Cluny para Le Puy.Foto: Hans-Martin Seubert.
E uma incursão para norte:Vlissingenna Holanda, na Via Scaldea, ao longo do rio Schelde.Foto: Gabriele Meixner.
A Suíça
Em frente à catedral deSt. GallenEstão embutidos no pavimento azulejos simples em forma de concha. É por aqui que passa a Via Jacobi, desde o Lago de Constança até Genebra.Foto: Dirk Fehse.
ERapperswilà beira do Lago de Zurique, um ponto de passagem da Via Jacobi pela Suíça.Foto: Karin Kuschel.
EFriburgo, mesmo no meio da Via Jacobi.Foto: Brigitte Vuichard-Schwaninger.
Pouco antes deFriburgo, o mesmo percurso, outro motivo.Foto: Thomas Zellweger.
EGenebra, onde a Via Jacobi termina e dá lugar à Via Gebennensis – «faltam apenas 1913 km até Santiago».Foto: Jacqueline Smolders.
NoTrilha da SuábiaPouco antes de Einsiedeln, no Passo de Brünig. A Suíça é, afinal, mais inclinada do que outros países – por isso, não faz mal que o azulejo fique, de vez em quando, na vertical na parede.Foto: Thomas Zellweger.
Alemanha e Polónia
ETelgtena Renânia do Norte-Vestfália, no Caminho de Santiago, de Bielefeld a Wesel.Foto: Julia Heinrich.
Na Polónia, emOlsztyn, no Caminho Polaco, que parte dos Países Bálticos.Foto: Helmut Winkle.
Através dos Pirenéus, rumo à Espanha
ESaint-Jean-Pied-de-Port, o ponto de partida clássico do Camino Francés, no sopé dos Pirenéus.Foto: Carmen Gerbermann.
EIrún, mesmo atrás da fronteira franco-espanhola, onde começa o Camino del Norte.Foto: Brigitte Vuichard-Schwaninger.
Norte de Espanha: Norte, esquecido e primitivo
EBilbau, no Camino del Norte e, ao mesmo tempo, no início do solitário Caminho Esquecido.Foto: Sylvio Hoffmann.
EAguilar de Campoo, nas profundezas do «esquecido» Camino Olvidado.Foto: Barbara Schörner.
Na catedral deOviedo, onde o caminho se divide entre o Caminho Primitivo e o Caminho Costeiro.Foto: Andrea Wionski.
EAmanhã, atrás da muralha romana, no Caminho Primitivo.Foto: Sarah Eberhardt.
E o azulejo no fundo do mesmo motivo – também emAmanhãam Primitivo.Foto: Sarah Eberhardt.
O Camino Francés
EObanos, pouco depois da junção dos caminhos de Roncesvalles e Somport.Foto: Karla Bartelmai.
ENavarrete, na região vinícola da Rioja.Foto: Brigitte Vuichard-Schwaninger.
ELogroño, a capital da Rioja.Foto: Brigitte Vuichard-Schwaninger.
ECarrión de los Condes, no meio da vasta Meseta.Foto: Andrea Wionski.
EBurgos, um pavimento aparentemente acabado de colocar, com juntas ainda húmidas.Foto: Barbara Schörner.
EBurgos, o mesmo motivo – só que já seco.Foto: Thomas Zellweger.
EPonferrada, provavelmente a placa indicadora mais húmida do Camino Francés. Diz-se que o seu canto superior aponta na direção errada – mas, devido à sua frescura revigorante, vamos ignorar isso.Foto: Carmen Gerbermann.
EVillafranca del Bierzo, pouco antes da subida para O Cebreiro.Foto: Carmen Gerbermann.
Portugal: o percurso costeiro
EPorto, am belebten Caminho Português da Costa.Foto: Cory Ko.
EVila do Conde, mais a norte, ao longo da costa.Foto: Peter Eich.
Pouco antes da fronteira espanhola, ainda no Caminho Português da Costa.Foto: Susanne Fröller.
ECumprimentos, logo a seguir à fronteira, onde o caminho português entra em território espanhol.
EmFontes Termais dos Reis– um motivo para todos aqueles que, de vez em quando, olham para cima.Foto: Viola Zimmermann.
Chegada a Santiago
ESantiago de Compostela, a poucos passos da meta.Foto: Manu Maela.
ESão Tiago, no destino – aqui, de qualquer forma, olha-se para cima.Foto: Thomas Zellweger.
E no dia seguinte, na fila à porta do Gabinete de Peregrinação, enquanto esperava pela Compostela.Foto: Sta Ni.