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Camino de la Ría de Muros-Noia

A rota marítima menos conhecida entre os Caminhos de Santiago da Galiza: de Muros a Santiago de Compostela, passando por Noia. Apenas 365 peregrinos em 2024 – aqui, serás um pioneiro.

16 de julho de 20269 min de leitura
Conteúdo

Em resumo

  • Início: Muros (Galiza, Espanha)
  • Objetivo: São Tiago de Compostela
  • Duração: 79,2 km (Muros-Ast) | ~102 km, incluindo Porto do Son-Ast
  • A etapa: 4 etapas (Muros-Ast)
  • Dificuldade: Moderado – sem montanhas altas, ~50 % de superfície natural
  • Melhor época para viajar: De maio a outubro
  • Compostela: Sim – são necessários ambos os percursos (mínimo de 100 km; segundo Gronze e o guia oficial: 102 km)
  • Número de peregrinos (2024): 365 – um dos Caminhos de Santiago menos conhecidos da Europa

Visão geral

O Caminho da Ría de Muros-Noia é um dos segredos mais bem guardados dos Caminhos de Santiago galegos. Enquanto centenas de milhares de pessoas fazem a peregrinação todos os anos pelo Caminho Francês ou pelo Caminho Português, quase ninguém conhece este percurso — apesar de ter sido oficialmente reconhecido como Caminho de Santiago pela Catedral de Santiago desde dezembro de 2020. Em 2024, 365 peregrinos receberam a sua Compostela por este percurso. És, portanto, literalmente um pioneiro — o dono do restaurante, ao fim do dia, ainda não atendeu nenhum autocarro cheio de peregrinos antes de ti, e os habitantes locais ainda te recebem como uma presença especial.

O percurso começa em Muros, uma das mais belas vilas piscatórias medievais da Galiza, e segue a histórica Rota Real ao longo da Estuário de Muros e Noia – a mais setentrional das Rías Baixas – passando por Noia e atravessando o interior montanhoso até Santiago de Compostela. Com quatro etapas principais e pouco menos de 80 quilómetros (ramo de Muros), o percurso pode ser facilmente completado numa semana. Quem pretender obter a Certidão de Compostela tem de percorrer ambos os ramos da Ría – segundo Gronze e o guia oficial da Associação de Municípios, isso perfaz um total de cerca de 102 km, exatamente no limite mínimo exigido pela catedral.

Outros nomes

O caminho tem vários nomes. Oficialmente, chama-se Caminho da Ria de Muros-Noia, em alguns locais também Trilha Marítima de Muros e Noia. Entretanto, chegou a ser ponderada a possibilidade de o designar como «Caminho Inglês«del Sur» – inspirando-se no Caminho Inglês de Ferrol e A Coruña, com o qual partilha a tradição do peregrinação marítima. A nível internacional, o percurso reveste-se hoje de importância como parte do Rua Querinissima, um Percurso Cultural Europeu que recebeu a certificação do Conselho da Europa em 2026 e que liga a ilha norueguesa de Røst a Veneza – com uma paragem em Muros.

Para quem é este percurso ideal – e para quem não o é tanto

Este é o sítio ideal para ti, se procuras um Caminho de Santiago marítimo curto procuras algo longe dos circuitos de peregrinação mais batidos. Adoras ser um dos primeiros; interessas-te por história, pela costa e pelas vilas piscatórias medievais; e tens iniciativa própria quando se trata de navegação e de procurar alojamento. Quem procura, numa semana, uma experiência completa do Caminho, com a brisa do Atlântico, igrejas românicas e natureza quase intocada, vai sentir-se aqui em casa.

Este percurso é menos adequado se precisares de uma rede densa de infraestruturas para peregrinos. Além do Albergue de Noia, que será inaugurado em 2026, não existem, até ao momento, albergues para peregrinos ao longo do percurso – ficarás alojado em pensões e pequenos hotéis. Aqui não existem setas amarelas como nos Caminhos de Santiago espanhóis; sem uma aplicação de GPS ou um percurso gravado, não deves iniciar este percurso.

Percurso e paisagem

O ramal de Muros começa com uma vista sobre a Ría e segue pelas encostas arborizadas acima do braço de mar até O Cruceiro de Roo. Panoramas do Atlântico, trilhos silvestres tranquilos, aldeias com telhados de ardósia e antigos caminhos empedrados sucedem-se. A segunda etapa atravessa, ao longo da longa Ponte do Rei Afonso o braço do rio Tambre na foz – um momento especial: o extenso delta fluvial, com as suas junças e salinas, faz parte da área protegida Red Natura 2000.

A partir de Noia, o percurso muda de caráter. Em vez do panorama costeiro, os trilhos florestais, as margens dos ribeiros e as sebes de camélias acompanham-te até ao interior da Galiza. A terceira etapa passa pelo mosteiro medieval de Toxosoutos, passando pelo Balneário Os Ánxeles, antes de chegar a Bertamiráns, a última localidade de maior dimensão antes de Santiago. A entrada na cidade por Vidán — arborizada, tranquila, quase escondida — é considerada uma das mais belas e evocativas de todos os Caminhos de Santiago.

Etapas, terreno e dificuldade

O percurso é moderadamente exigente: não há alta montanha, nem subidas extremas, mas a Galiza nunca é realmente plana. Pequenas subidas e descidas, trilhos naturais por vezes escorregadios e trechos de calçada antiga exigem passos firmes – especialmente depois da chuva. Cerca de 50 % do percurso é de terra batida.

  1. Muros → A Encruzilhada de Roo (24,4 km) – Caminho histórico «Königsweg» na zona de encosta da Ría; vistas para o Atlântico, pequenas aldeias piscatórias, subidas e descidas suaves.
  2. O ferry de Roo → Noia (18,4 km) – Caminhos florestais para o interior; travessia do rio Tambre pela Ponte Nafonso; entrada na pequena cidade de Noia. Variante opcional pela costa, passando por A Barquiña.
  3. Noia → Urdilde (18,6 km) – Antigo Caminho Real; paragem intermédia no Mosteiro de San Xusto de Toxosoutos, com cascata; natureza e espiritualidade num espaço reduzido.
  4. Urdilde → Santiago de Compostela (17,8 km) – Descida por A Maía; passagem por Bertamiráns; chegada tranquila e arborizada a Santiago.

A marcação é composta por vieiras amarelas sobre um fundo azul-escuro em postes de sinalização da KST, complementados por marcações coloridas do trilho entre os sinais. Nos centros das localidades de Muros e Noia, foram adicionadas conchas metálicas em 2025. Aqui não há setas amarelas – É obrigatório utilizar uma aplicação de GPS ou um percurso descarregado (disponível em caminoriamurosnoia.gal).

História e tradição marítima

O que distingue este caminho de quase todos os outros Caminhos de Santiago: já na Idade Média era um ponto de desembarque para os peregrinos marítimos vindos do norte da Europa. Em 1147, a frota inglesa da Segunda viagem de cruzeiro na Ría, fez a peregrinação a Santiago e seguiu para Lisboa, onde ajudou o rei Afonso Henriques na reconquista. Em 1189, uma expedição alemã da Terceiro cruzeiro o mesmo caminho. Noia recebeu, em 1168, uma Carta de Puebla que garantia imunidade aos navios de peregrinos e, na Idade Média, possuía a sua própria Rua dos Mariscos bem como dois hospícios para peregrinos, cujos portais ainda hoje se mantêm de pé.

O testemunho histórico mais ilustrativo é fornecido pelo comerciante veneziano Pietro Querini. Partiu de Creta a 25 de abril de 1431 a bordo do navio «Gemma Querina», com 68 tripulantes e 800 barris de vinho Malvasia, com destino às Flandres. As tempestades empurraram o seu navio para muito mais a norte; a maioria dos tripulantes morreu. Onze sobreviventes foram resgatados na ilha norueguesa Voto salvo. No regresso, Querini atracou em Muros e empreendeu a peregrinação a pé até Santiago – o seu diário é um documento fascinante. Em sua memória, a Rua Querinissima Atualmente, a rota liga Røst a Veneza; Muros é o seu ponto de partida mais a sul. Em maio de 2026, a rota recebeu a certificação oficial como Rota Cultural do Conselho da Europa.

Pontos de destaque ao longo do percurso

  • Muros – Fundada em 1286 pelo rei Sancho IV e classificada como Conjunto Histórico-Artístico: a igreja gótica de São Pedro, casas com arcadas cujos arcos são tão largos que permitiam guardar redes de pesca por baixo delas, o edifício do mercado com uma magnífica escadaria dupla e o Museu do Mar.
  • Monte Louro – Montanha costeira imponente na entrada da Ría; companheira constante na primeira etapa e símbolo do percurso.
  • Ponte do Rei Afonso – Uma longa ponte sobre o delta do Tambre, no seio de uma área protegida Red-Natura 2000 composta por juncos salinos e gramíneas de pântano.
  • Namorada – Pequena cidade medieval; Igreja de San Martíño, com um portal monumental; Igreja de Santa María a Nova, com lápides funerárias medievais das guildas; Convento de San Francisco; Albergue Portus Apostoli (desde 2026).
  • Castelo de Baróña – Castro celtogálico do século IV a.C., situado numa península perto de Porto do Son: quatro terraços, 20 casas redondas de pedra – uma obra de arte total da arquitetura da Idade do Ferro (→ ramo de Porto do Son).
  • Mosteiro de San Xusto de Toxosoutos – Ruínas românicas no meio de florestas de abetos-galos e cascatas; uma das paragens mais tranquilas e impressionantes do percurso.
  • Spa Os Ánxeles – Balneário termal histórico perto de Santiago; vale a pena fazer o desvio.
  • Chegada a Santiago – A passagem por Vidán – é considerada uma das mais belas entradas de todas as rotas do Caminho de Santiago.

Alojamentos e infraestruturas

A rede de alojamentos para peregrinos está a expandir-se: no outono de 2026, será inaugurado o Albergue Portus Apostoli em Noia – instalado numa curtume histórica com quartos de 4 camas, concebido com base no princípio da doação. Estão previstas mais albergues em Muros, Toxosoutos e Urdilde até 2027. Até lá, pensões, pequenos hotéis e apartamentos oferecem alojamento em todas as etapas. A sinalização consiste em conchas amarelas sobre fundo azul-escuro, em vez das clássicas setas amarelas.

Como é que os peregrinos chegam a este caminho

A Ría de Muros e Noia fica a pouco menos de uma hora de autocarro a oeste de Santiago (Monbus a partir da Estação Intermodal) – por isso, muitos percorrem esse trajeto como prolongamento da viagem após a chegada ao túmulo do Apóstolo.

A parte principal também pode ser percorrida separadamente: a etapa Porto do Son → Noia Descrevemos isto separadamente – ideal para um dia à beira-mar.

Continuar a peregrinação?

O Caminho da Ría de Muros-Noia é o troço final do chamado Volta de Gloria – um grande percurso circular pela Galiza: Santiago → Negreira → Muxîa → Fisterra → Via Mîtica → Caminho da Ría → Santiago. O percurso tem cerca de 270 km.

Preparação e aspetos práticos

Melhor época para viajar: De maio a outubro. No verão (julho/agosto), os percursos costeiros são agradáveis; a chuva de outubro traz uma vegetação exuberante e pouca afluência. É imprescindível ter uma aplicação de GPS – a sinalização é boa, mas mais escassa do que nos percursos principais.

Quanto te vai custar a viagem

Cerca de 30 a 50 € por dia.

Como chegar

A forma mais fácil de chegar a Muros: Monbus parte várias vezes por dia de Santiago de Compostela diretamente para Muros e Noia (a mesma linha que vai para Cee e Fisterra). Como chegar a Santiago por Empresa ferroviária nacional espanhola (AVE/Alvia a partir de Madrid, Barcelona, Porto) ou através do Aeroporto de Santiago de Compostela (SCQ).

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