Camino de Invierno
O Caminho de Inverno é a alternativa inteligente no sistema dos Caminhos: 271,8 quilómetros de Ponferrada a Santiago — o percurso que os peregrinos já escolhiam há séculos, quando a neve tornava intransitável a passagem de O Cebreiro. Em vez de aglomerações, oferece minas de ouro romanas, os socalcos vitícolas da Ribeira Sacra e as aldeias mais tranquilas da Galiza: em 2025, apenas 2 758 peregrinos chegaram a Santiago por esta rota. Quem conhece o Caminho Francês e, desta vez, procura a porta discreta para Santiago, encontra-a aqui — em qualquer época do ano.

- 01Em resumo
- 02Visão geral
- 03O caminho que a neve inventou
- 04Las Médulas e a montanha perfurada — o ouro dos romanos
- 05Ribeira Sacra — Vinho da verticalidade
- 06Outros nomes
- 07Para quem é ideal – e para quem talvez não seja
- 08Percurso e paisagem
- 09Etapas, terreno e grau de dificuldade
- 10Pontos de destaque ao longo do percurso
- 11Como é que os peregrinos chegam a este caminho
- 12Continuar a peregrinação?
- 13Preparação e aspetos práticos
- 14Quanto te vai custar a viagem
- 15Como chegar
Em resumo
- Partida / Chegada: Ponferrada (desvio da Camino Francés) → Catedral de Santiago de Compostela
- Distância: 271,8 km — pelo Vale do Sil, pela Ribeira Sacra e passando por Lalín até Santiago
- Desnível: ↗ 5 632 m / ↘ 5 892 m — não é uma passagem de montanha, mas sim uma sucessão constante de subidas e descidas por vales fluviais e encostas
- Duração: 10–12 dias; normalmente são 9–10 etapas
- Sinalização: seta amarela e concha; o percurso completo está disponível na aplicação Camino Ninja
- Peregrinos: 2 758 chegadas em 2025 — um dos Caminhos de Santiago mais tranquilos de sempre
- Albergues: Rede de alojamentos da Xunta e privados; suficiente, mas que requer planeamento
- Ligação: ramifica-se em Ponferrada a partir do Camino Francés e desagua, junto a Lalín, no Camino Sanabrés
- Carácter: tranquilo, aprazível, subestimado — minas de ouro, socalcos de vinha e quatro províncias galegas num único percurso
Visão geral
Em Ponferrada, os peregrinos do Caminho Francês deparam-se com uma bifurcação discreta, mas com uma grande história: à esquerda começa o Camino de Invierno, o «Caminho de Inverno». Este caminho surgiu porque a subida para O Cebreiro ficava regularmente coberta de neve no inverno e o vale do Valcarce transbordava — pelo que, desde sempre, os viajantes se desviavam para o vale do Sil, de clima mais ameno. Hoje, tornou-se um Caminho de pleno direito, devidamente sinalizado: 271,8 quilómetros até Santiago, sendo o único Caminho de Santiago a atravessar as quatro províncias da Galiza.
O seu trunfo é o silêncio com substância: 2 758 peregrinos ao longo de todo o ano de 2025 — e, ao mesmo tempo, uma densidade de atrações turísticas que faz com que os grandes percursos pareçam insignificantes: as minas de ouro romanas de Las Médulas logo no primeiro dia, os socalcos vitícolas e os mosteiros da Ribeira Sacra a meio do percurso, o Monte Faro, com a sua vista panorâmica, pouco antes da meta. Perto de Lalín, o Invierno cruza-se com o Camino Sanabrés, com quem partilha as últimas etapas até Santiago.
O caminho que a neve inventou
A maioria dos Caminhos de Santiago foi criada por reis, mosteiros ou apóstolos — este aqui foi criado pelo clima. Quando, no inverno, a passagem de O Cebreiro ficava coberta de neve e o rio Valcarce transbordava, aos viajantes que se dirigiam à Galiza restava apenas o desvio pelo vale do Sil, situado a uma altitude mais baixa. O percurso é milenar: já os romanos documentaram aqui, nos séculos I e II, uma estrada que conduzia às suas minas de ouro; as tropas de Napoleão utilizaram o vale no início do século XIX e, em 1883, circulou por aqui o primeiro comboio que ligava a Galiza ao resto da Península Ibérica.
Hoje em dia, o nome induz em erro: o Invierno é, há muito, um percurso para todas as estações — no inverno, simplesmente o mais sensato; no verão, o mais tranquilo. E detém um recorde que nenhum outro caminho possui: é o único Caminho de Santiago que atravessa as quatro províncias galegas — Ourense, Lugo, Pontevedra e A Coruña.
Las Médulas e a montanha perfurada — o ouro dos romanos
Logo no primeiro dia de caminhada, acabamos num mundo à parte: Las Médulas, hoje Património Mundial da UNESCO, foi a maior mina de ouro a céu aberto do Império Romano. Recorrendo à técnica da «ruina montium», os romanos conduziam grandes volumes de água através de túneis nas montanhas, até que encostas inteiras desabavam e libertavam o ouro — ficando para trás uma paisagem surreal de picos rochosos vermelhos e bosques de castanheiros, que, à luz do entardecer, brilha como um planeta estranho.
Algumas etapas mais à frente, espera-nos a segunda maravilha romana: o túnel de Montefurado, a «montanha perfurada», com o qual os romanos desviaram o rio Sil para explorar o seu leito rico em ouro. O Invierno é, assim, também um percurso didático sobre a engenharia romana — percorre-se dois milénios depois e continua a deixar-nos maravilhados.
Ribeira Sacra — Vinho da verticalidade
O coração deste percurso é a Ribeira Sacra, a «margem sagrada»: os desfiladeiros do Sil e do Miño, cujas encostas íngremes estão, há séculos, dispostas em vertiginosos socalcos de vinha. Chama-se-lhe «viticultura heróica» — a vindima é feita à mão em encostas onde nenhuma máquina consegue chegar, e a Mencía, que aqui cresce, é um dos vinhos tintos mais característicos de Espanha. O nome da região deve-se à sua densidade única de mosteiros e eremitários, que desde a Idade Média se retiraram para estes vales isolados.
O percurso atravessa a região passando por Monforte de Lemos, cuja torre e Colégio marcam a silhueta da localidade, e sobe depois por Chantada até ao Monte Faro, o monte com vista panorâmica de onde, em dias de céu limpo, se avistam as quatro províncias galegas. É nesse momento que muitos percebem que tipo de percurso encontraram — e porque é que é melhor partilhá-lo, mas apenas com as pessoas certas.
Outros nomes
Em espanhol, o percurso chama-se Camino de Invierno; em galego, Camiño de Inverno; e internacionalmente, Winter Way — o Caminho de Inverno. O nome descreve a sua finalidade histórica, não a estação do ano: é percorrível durante todo o ano e, no verão, é até particularmente agradável, pois o Vale do Sil proporciona sombra e a Ribeira Sacra oferece frescura. Por vezes, também se lê «Ruta del Sil», em referência ao rio que acompanha durante metade do percurso.
Para quem é ideal – e para quem talvez não seja
O Invierno é ideal para Reincidente e os conhecedores: Quem conhece o Camino Francés que já partiu e suspira ao pensar em Sarria, encontra aqui um mundo paralelo e tranquilo — o mesmo ponto de partida em Ponferrada, o mesmo destino, uma fração das pessoas. Também para Amantes do vinho e da história é a primeira escolha, e no Inverno É o percurso mais seguro para Santiago, tal como o próprio nome sugere.
É menos adequado para quem procura o clássico espírito de comunhão do Caminho — é raro encontrar mesas cheias nos albergues à noite e o inglês não ajuda muito nas aldeias. Mesmo quem precisa de etapas muito curtas tem de planear: entre algumas localidades, há pouca infraestrutura. Para quem faz o Caminho pela primeira vez, o Francés é a opção mais fácil; o Invierno é o «semestre de recompensa» que se segue.
Percurso e paisagem
A partir de Ponferrada, o percurso atravessa os pomares e vinhedos do Bierzo até às rochas vermelhas de Las Médulas, passando depois para o vale do Sil: Valdeorras, a região vinícola mais a leste da Galiza, pontuada por fileiras de videiras e aldeias de xisto. Passando por Quiroga e pela montanha perfurada de Montefurado, o percurso entra na Ribeira Sacra, onde segue pelas colinas dos desfiladeiros até Monforte de Lemos.
Depois de Chantada, segue-se a longa subida até ao Monte Faro, o ponto mais alto do percurso — e, a seguir, a descida suave: junto a Lalín, o Invierno junta-se ao traçado do Camino Sanabrés, e juntos percorremos florestas de eucaliptos e carvalhos, passando por Ponte Ulla, até Santiago. A chegada à Praça do Obradoiro volta a ser partilhada com todos — mas com a certeza silenciosa de que seguimos o outro caminho.
Etapas, terreno e grau de dificuldade
Tradicionalmente, entra-se no Invierno Etapa 9–10; aqui, a divisão habitual em dezenas. Os percursos diários variam entre 14 e 35 km — alguns dias mais longos podem ser amenizados com paragens intermédias, mas nem todos. Nesta rota tranquila, faz parte do costume verificar a disponibilidade de alojamento na véspera.
- Ponferrada → Las Médulas: aprox. 27 km — pelo Bierzo até às rochas vermelhas da mina de ouro romana
- Las Médulas → O Barco de Valdeorras: cerca de 27 km — descendo até ao Vale do Sil e à região vinícola de Valdeorras
- O Barco → A Rúa: cerca de 14 km — dia curto ao longo do rio, tempo para visitar bodegas
- A Rúa → Quiroga: cerca de 27 km — ao longo do rio Sil, passando pelo túnel romano de Montefurado
- Quiroga → Monforte de Lemos: cerca de 35 km — a etapa mais longa, rumo à Ribeira Sacra
- Monforte de Lemos → Chantada: cerca de 30 km — atravessando o rio Miño e passando por vinhas em socalcos
- Chantada → Rodeiro: cerca de 26 km — a subida pelo Monte Faro com vista para quatro províncias
- Rodeiro → A Laxe (Lalín): cerca de 27 km — descida suave até à foz no rio Sanabrés
- A Laxe → Ponte Ulla: cerca de 20 km — percurso comum através das florestas da Galiza
- Ponte Ulla → Santiago de Compostela: cerca de 22 km — a última subida e a chegada
Todas as indicações relativas às etapas são arredondadas — o que faz referência é a distância total de 271,8 km a partir de Ponferrada. Para obter a Compostela, bastam os últimos 100 quilómetros: quem iniciar a caminhada apenas em Monforte de Lemos ou Chantada cumpre facilmente o requisito e, mesmo assim, descobre o cerne do percurso.
Pontos de destaque ao longo do percurso
- Cidade Templária de Ponferrada — a despedida do Francés sob as ameias medievais
- Las Médulas — a maior mina de ouro do Império Romano, Património Mundial da UNESCO em Rot
- Valdeorras — Aldeias de ardósia e vinho Godello no vale do Sil
- Montefurado — a montanha que os romanos perfuraram em busca do ouro do Sil
- Ribeira Sacra — Desfiladeiros, mosteiros e viticultura heróica em socalcos íngremes
- Monforte de Lemos — A torre, o Colégio e a capital secreta da região
- Barragem de Belesar, no rio Miño — Esplanadas à beira-mar, na primavera um mar de flores
- Chantada — As ruelas da cidade velha e a subida até ao ponto mais alto
- Monte Faro — a montanha com vistas sobre as quatro províncias da Galiza
- Lalín — a foz do rio Sanabrés, famosa pelo seu guisado «cocido»
- Ponte Ulla — última travessia do rio na região vinícola do Vale do Ulla
- Plaza del Obradoiro — a chegada a Santiago, merecida como poucas vezes
Como é que os peregrinos chegam a este caminho
A maioria vira a pé: chegam pelo Camino Francés até Ponferrada, onde se muda de percurso — o Invierno começa mesmo na cidade, junto ao castelo dos Templários. Quem pretender fazer esta rota como uma viagem independente pode chegar facilmente a Ponferrada de comboio ou de autocarro, passando por León ou Madrid.
Os pontos de entrada mais populares são Monforte de Lemos (estação ferroviária, a cerca de 100 km de Santiago — adequada para a peregrinação a Compostela) e O Barco de Valdeorras. A partir de Lalín, o Invierno segue com o Camino Sanabrés juntos; quem quiser, pode também combinar as duas de forma deliberada, criando assim uma alternativa tranquila para a última semana antes de Santiago.
Continuar a peregrinação?
Mesmo o caminho mais silencioso não tem de ser o fim: o Camiño a Fisterra parte de Santiago e percorre cerca de 91 km, demorando 3 a 4 dias, até ao cabo no Atlântico — marco quilométrico 0,0, farol, pôr-do-sol e a Fisterrana como certificado próprio.
A partir daí, o Camiño a Fisterra-Muxía o cabo, a pouco menos de 29 quilómetros ao longo da costa, com o santuário da Virxe da Barca, em Muxía. Depois dos desfiladeiros do rio Sil, o Atlântico aberto é o final perfeito — e a costa ali é tão tranquila quanto o caminho que acabaste de percorrer.
Preparação e aspetos práticos
O inverno é durante todo o ano acessível — esse é o seu objetivo fundamental. O mais bonito são Abril a junho (terraços floridos) e Setembro a outubro (Vindima em Valdeorras e na Ribeira Sacra); o verão no Vale do Sil é quente, mas suportável, o inverno é ameno, mas curto — por isso, é melhor partir cedo.
A mochila deve não mais de dez por cento do peso corporal pesar; fora isso, o que é preciso acima de tudo é planeamento: num percurso com poucos peregrinos, há também menos infraestruturas, e nem todas as aldeias têm um bar aberto. Com a Camino Ninja App estás do lado seguro: ela tem o percurso completo a bordo — incluindo todas as etapas, albergues e perfis altimétricos, o que é particularmente importante neste caminho tranquilo.
Para obter a Compostela, precisas da Credencial com carimbos, dois por dia nos últimos 100 quilómetros. E à noite, reserva algum tempo para aquilo que acompanha este percurso: um copo de Mencía ou Godello — as vinhas crescem frequentemente à vista do caminho.
Quanto te vai custar a viagem
O Invierno é económico: o orçamento diário situa-se normalmente em 25 a 40 € (Atualizado em agosto de 2026). Os Albergues da Xunta têm um preço único de 10 €, albergues privados 12–20 €, e o menu do dia está disponível por 11–15 € — na Ribeira Sacra, de preferência acompanhado por um copo de vinho das encostas íngremes, que noutro local custaria muito mais.
Como chegar
De acordo com Ponferrada Podes vir de comboio e autocarro passando por León ou diretamente de Madrid; quem vem do Francés já está lá, de qualquer forma. Para partidas parciais, é Monforte de Lemos ideal — a cidade situa-se no entroncamento ferroviário da Galiza e é facilmente acessível a partir de Ourense, Lugo e A Coruña.
A volta começa a partir de Santiago de Compostela (SCQ) com voos diretos para a região de língua alemã ou de comboio, passando por Ourense e Madrid.
- Como chegar ao ponto de partida: Comboio/autocarro para Ponferrada (via León ou Madrid)
- Entrada intermédia: O Barco de Valdeorras e Monforte de Lemos de comboio; Chantada de autocarro a partir de Lugo e Ourense
- Viagem de regresso: diretamente a partir de Santiago (SCQ); em alternativa, de comboio via Ourense
Pegue sua credencial de peregrino e a concha
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